Rumo à Guerra Civil (I)
São 17:20, e Renan Calheiros acaba de ser absolvido por seus companheiros no Senado. Precisava de mais da metade dos votos da casa - 41, para ser mais exato - para ser cassado, e obteve apenas 35. Surpresa alguma.
O interessante, como a Folha de S. Paulo conta, é que que 41 senadores afirmaram votar hoje pela cassação de Renan. Como a sessão foi secreta, obviamente, não o fizeram. Resta saber: quantos aparecerão agora dizendo que votaram a favor da cassação? 50?
Renan conseguiu dominar, com a força de suas influências, a casa mais poderosa do legislativo brasileiro. Pôs os seus iguais para comer em sua mão. Não há, em lugar algum, dúvidas de que o senador está atolado em irregularidades, mas por aquilo que no Direito chamamos de “ficção de realidade”, nada disso importa, agora ele É inocente. Ponto. E a vida segue seu rumo. Obviamente, existem as outras denúncias, mas os opositores de Renan saem desta primeira batalha abatidos e desmoralizados. Nada mais agora é surpresa.
Não cabe a mim explicar os mecanismos políticos que levaram à vitória de Renan (e à derrota do regime democrático representativo) que a imprensa especializada está tratando com bem mais amplitude e competência do que eu poderia fazer.
Me interessa, isto sim, contextualizar este fato, que é bastante sintomático. Daí o título do post: estamos trilhando - e agora não há mais dúvida - a estrada que levará, eventualmente, brasileiro a se levantar contra brasileiro.
Nos próximos textos desta série, tentarei defender a tese de que a sociedade brasileira está, progressivamente, testando a elasticidade das instituições políticas e jurídicas da nação, o que levará, mantidas as atuais variáveis, a um momento de violenta ruptura. Ou seja, como é comum dizer, estamos sentados em uma panela de pressão, talvez (e com a provável exceção das teocracias islâmicas e da Índia) a pior bomba relógio do planeta.
Continua…



Amanhã todo mundo já esqueceu. Mas bloqueia o YouTube pra ver o que é mobilização popular… “Por Deus, nós somos SERES HUMAAAANOS!”