Estorinha mal-contada (3)


O Antigo Testamento, como vemos, está entupido de contradições, trechos conflitantes e pontos de atrito. Mas, afinal, como cobrar coerência de um bando de pastores hebreus analfabetos e bêbados, que transmitiam seu folclore oralmente entre um churrasco à beira da fogueira e outro? Covardia, não? No novo testamento, os apóstolos certamente se conheciam, e tinham bastante tempo de combinar as estórias que iam colocar no papel, não? Infelizmente, não é bem assim.

O Novo Testamento dá um show de contradições no Antigo. O que Jesus disse ao morrer? Quem estava presente quando a tumba de Jesus foi aberta? O Sermão da Montanha ocorreu mesmo em uma montanha? Fiquem tranquilos, leitores, o cata-piolho mais divertido dos últimos 2000 anos está garantido, pois estas e outras excitantes perguntas NÃO são respondidas pela leitura do manual místico cristão!

Todos concordam que as últimas palavras de um homem são muito importantes. Muitas célebres últimas palavras entraram para a história. O que dizer, no entanto, dos apóstolos da mais poderosa religião do mundo, que simplesmente esqueceram das últimas palavras de seu mestre? Mateus conta a primeira versão da estória, segundo a qual Jesus teria morrido clamando desesperado por seu deus (capítulo 27):

46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias,
48 E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.
49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.
50 E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.

Já para Lucas a estória é outra: ele teria morrido não desesperado, mas confiante (Capítulo 23):

46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

Já João (Capítulo 19) conta uma outra versão, totalmente diferente:

30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Mas não é só isso. Entre outras incongruências, os apóstolos também discordam sobre quem estava presente durante a abertura da tumba de Jesus, bem como o que lá aconteceu. Mateus conta (Capítulo 28):

1 E, NO fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2 E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.
3 E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.
4 E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos.
5 Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.

Um anjo com forma de relâmpago sentado em cima do sepulcro? Tá. De qualquer forma Marcos, no Capítulo 16, tem outra versão:

1 E, PASSADO o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.
2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.
3 E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?
4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande.
5 E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas.
6 Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.

Um jovem sentado à direita do sepulcro? Bem melhor. Mas João gostou mais da história do anjo, que é mais legal, e na sua versão não coloca um, mas sim, dois anjos inteirinhos para receber visitantes totalmente diferentes:

1 E NO primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.
2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.
3 Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro.
4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.
5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou.
6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis,
7 E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.
8 Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu.
9 Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos.
10 Tornaram, pois, os discípulos para casa.
11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.
12 E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

Da mesma forma, nem mesmo os fatos que seriam lexicalmente óbvios continuam óbvios depois de passar pelo cruel telefone-sem-fio dos escritores do livro místico cristão. Consensos aparentes - como por exemplo o fato de que o “Sermão da Montanha” tenha ocorrido efetivamente em uma montanha - são demolidos pelo improviso literário dos primeiros autores da mitologia cristã. Mateus, Capítulo 5:

1 E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2 E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
3 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10 Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

Já segundo Lucas, Capítulo 6…

17 E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judéia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades,
18 Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados.
19 E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.
20 E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
21 Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
22 Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.
23 Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.

E isso é só o começo…


Douglas Oliveira Donin é advogado, cético, liberal, democrata, capitalista, utilitarista e sul-riograndense de Porto Alegre.
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Comentários dos Leitores

Tenho certeza que há uma explicação perfeitamente plausível para isso. Por exemplo, cada discípulo pode ter consultado a Wikipédia com horas de diferença.

Querido amigo, los escritores de la Biblia fueron hombres de distintos niveles sociales y culturales; entre los escritores del Nuevo Testamento encontramos que algunos no habían conocido personalmente a Jesús sino que recolectaron datos de su vida, por eso en los textos puede haber discrepancias. Sobre lo demás, se puede decir que entre los discípulos que tienen diferencias en sus relatos nos da a pensar que ellos no estaban presentes en la muerte (habrá sido por pena) y después de que pasó todo empezaron a recolectar datos y escribieron lo que otras personas vieron y oyeron y si vamos a ese punto, algunas personas trasgiversan la información. En lo que se refiere a los Ángeles, no olvides que fueron las mujeres quevieron todo, talvés ellas se emocionaron tanto con lo que vieron que entre las tres tuvieron percepciones distintas, como sucede con cada comentario que uno da, yo tngo un punto de vista y tú el propio. No te olvides de que eres hijos de Dios y a pesar de todo Dios está dispuesto a ayudarte, sólo dale tu corazón y verás que tus dudas se aclararán, si no crees en la fiabilidad de la Biblia, pídele al que la escribió ( el Espíritu Santo) que te ayude a comprender, o si no al Señor Jesús, pero nunca trates de negarlo si es que sientes su llamado. Yo te aseguro de que verás la verdad, si ahora estás preocupado, dáletu corazón y Él hará.

¡Dios te Bendiga!
Carlos Marquina
Unión Peruana del Sur

Carlos, não estou dizendo que Jesus não existiu (eu acredito que Jesus existiu), não estou dizendo que o deus da mitologia cristã não existe (eu não acredito que ele exista, embora não possa provar que isso - do mesmo modo que você não pode me provar que Zeus e Odin não existem), nem digo que todos os eventos narrados na Bíblia são falsos.

O que eu digo é que, ao contrário do que dizem certas pessoas por aí (que pregam que a “perfeição” e a “integridade” da Bíblia são provas, em si, da existência deste deus), a Bíblia é, SIM, cheia de erros, furos e contradições. Está ali, para todo mundo ver. Querer negar isso é querer tapar o sol com a peneira.

Quem quiser seguir a Bíblia ou a mitologia cristã que siga à vontade; não tenho nada a ver com isso. Mas tentar utilizar este argumento da “perfeição e unidade do relato bíblico” como prova de existência de qualquer deus, aí já é demais… ainda mais quando quem faz isso é um político sedento por empurrar, via legislativa, sua crença sobre mim, meus filhos ou os filhos dos outros, como é comum aqui no Brasil.

Como você bem notou, este livro foi é escrito por pessoas diferentes, ao longo de muitos anos, com muitas interpretações diferentes do folclore judaico, da mesma maneira que eu, você ou qualquer outro escrevem algo hoje em dia. Quem cultua um livro como se deus fosse, cegamente, sem interpretaçao pessoal, sem questionamento, não passa de um indivíduo muito, muito perigoso.

Bom dia amigo, tudo bem? Espero que sim. Permita-me falar algo sobre o assunto q vc falou aqui. Não concordo muito com vc, mesmo q o q vc tenha dito parece ser real. Não concordo com vc ao dizer q os escritores do VT eram “um bando de pastores hebreus analfabetos e bêbados, que transmitiam seu folclore oralmente entre um churrasco à beira da fogueira e outro”. Deixe perguntar: vc se sentiria bem se alguem dirigisse essas palavras a vc? certo q não. E mais, se eles estivessem aí frente deles, vc os diria as mesmas palavras? Creio tb q não. Então, pq falar isso? Será q nós os homens do século XXI somos os mais ilustres homens q passaram por este mundo? Penso bem diferente. Não costumo escandalizar de alguem na costa dele, mesmo q ele tenha feito algo mal. Já contamos nossos erros? Seria melhor contarmos nossos erros e depois de ter corrigido tudo, ajudar os outros a corrigir seus erros e, não criticá-los. Vc prova que aqueles escritores estavam bêbados. A Biblia mesmo diz q ela foi inspirada por Deus, capacitou homens para escrever esse livro e acho q vc não tem o direito de falar que aquele livro é um “manual místico cristão”. Vc acha que é um manual místico cristão, e agora, vc escreveu algum livro melhor, sem erros? Creio q Deus não ficará satisfeito com o q vc está falando acerca desse livro. Acho que as últimas palavras de um homem, não são mais importantes do que a palavra de Deus. Q servirá a última palavra se nosso viver não foi de exemplo. Quem escutará a última palavra? Nem loucos. Se cremos na Biblia, aceitamo-la então, como é. Não creio q as palavras desse livro são ridículas e cheio de erros. Se esse LIVRO estiver cheio de erros como vc já mencionou algum, que diremos da nossa vida? Acho q apodreceu, não achas? ESTORINHA MAL CONTADA. Pq vc não usou uma outra palavra se na verdade queria explicar ou deixar claro o que descobriu? Nossas palavras podem tocar fundo o coração de alguem. Pergunte a Jesus e ELE te responderá pq todos aqueles homens não escreveram a mesma coisa. Se quiser comunicar comigo, poderemos falar melhor. Abraços.

Respondendo ao Isaías:

Bom dia amigo, tudo bem? Espero que sim.

Sim, comigo tudo bem, espero que com você também.

Permita-me falar algo sobre o assunto q vc falou aqui. Não concordo muito com vc, mesmo q o q vc tenha dito parece ser real.

Não concordo com vc ao dizer q os escritores do VT eram “um bando de pastores hebreus analfabetos e bêbados, que transmitiam seu folclore oralmente entre um churrasco à beira da fogueira e outro”.

Mas eram!

Vamos checar:
Pastores - confere
Hebreus - confere
Analfabetos - confere
Bêbados - confere, mais ou menos (basta ver a importância que ao vinho é dado em todo o VT. O próprio Noé se embriagava orgulhosamente depois das festanças. Abraão se embebedou antes de engravidar suas próprias filhas).
Transmitiam seu folclore oralmente - confere
À beira das fogueiras - confere

Deixe perguntar: vc se sentiria bem se alguem dirigisse essas palavras a vc?

Obviamente, não. Mas isso não muda o fato de que, no caso deles, é verdade.

Certo q não. E mais, se eles estivessem aí frente deles, vc os diria as mesmas palavras?

Obviamente não, pois isto seria falta de educação. Além disso, provavelmente eles não hesitariam em me matar, como o deus manda em Levítico 17 (Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o SENHOR teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do SENHOR teu Deus, transgredindo a sua aliança,(…)Então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra.). Ou também, possivelmente, eu seria feito escravo por ser estrangeiro, como o deus manda em Levítico, 25 (”E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós”). Então, seu eu pudesse, não mexeria com esta gente perigosa e fanática, e recomendo a você que também não o faça.

Então, pq falar isso?

Para melhor contextualizar esta estorinha, conhecendo aqueles que, ao longo de séculos de folclore, a criou.

Será q nós os homens do século XXI somos os mais ilustres homens q passaram por este mundo?

(NOTA: Esta é uma invalidade argumentativa conhecida como TU QUOQUE) Longe disso. Temos, antes de nós, indiscutivelmente, os gregos. Depois disso, os romanos. Acredito que venhamos em terceiro lugar, o que é uma coisa muito boa. Mas comparados aos pastores analfabetos, fanáticos e sanguinolentos do oriente médio da época dos hebreus, somos mesmo uns doces. Mesmo assim, ser ou não melhor do que eles não muda, em absolutamente nada, o fato de que eles eram pastores, analfabetos, e que transmitiam seu folclore oralmente.

Seria melhor contarmos nossos erros e depois de ter corrigido tudo, ajudar os outros a corrigir seus erros e, não criticá-los.

Não estou criticando-os, só descrevendo-os melhor para que possamos conhecer os criadores de um conto. O fato de ter erros não muda, em absolutamente nada, o fato de que eles eram pastores, analfabetos, e que transmitiam seu folclore oralmente.

Vc prova que aqueles escritores estavam bêbados.

Que bom.

A Biblia mesmo diz q ela foi inspirada por Deus, capacitou homens para escrever esse livro

o Corão também diz a mesma coisa. O Torá também. O Rig-Veda também. O Mahabahata também. O Zend Avesta também. O Guru Granth Sahib também. Os Livros de Allan Kardec também. O [insira aqui seu manual místico preferido] também. O fato de que um livro místico, então, dizer que ele mesmo está correto e todos os outros estão errados não pode ser tomado como indício de que ele está correto e todos os outros errados, já que todos fazem isso e que, obviamente, não podem estar todos certos ao mesmo tempo.

E acho q vc não tem o direito de falar que aquele livro é um “manual místico cristão”.

OPA! OPA! OPA! MAS É CLARO QUE EU TENHO O DIREITO? Em que país você acha que nós estamos? Ora! Eu tenho o direito de falar isso, você tem o direito de falar o contrário! Isso se chama “Liberdade de Expressão”! Eu tenho o direito de não acreditar neste conto, ou de acreditar em qualquer outro conto místico, ou em nenhum, ou em todos, e você tem o direito de acreditar em fantasmas gigantes que têm filhos com virgens e em cobras que falam e oferecem maçãs, ou, se quiser, como os antigos acreditavam, que a Terra é plana e está em cima de uma tartaruga gigante, ou se quiser, como os espíritas acreditam, em sinapses cerebrais mesmo depois que não há mais neurônios ou cérebro!! Isso se chama “Liberdade de Consciência”!

Vc acha que é um manual místico cristão, e agora, vc escreveu algum livro melhor, sem erros?

(NOTA: Esta é uma invalidade argumentativa conhecida como TU QUOQUE) Não, não escrevi, nem pretendo escrever. Não acredito em misticismo, então, não pretendo escrever obra mística nenhuma. Mas isso não muda o fato de que a Bíblia é o manual místico dos cristãos. Vamos conferir:

- Manual: confere
- Místico: confere
- Dos cristãos: confere

Então, onde está a polêmica?

Creio q Deus não ficará satisfeito com o q vc está falando acerca desse livro.

[Supondo por um momento que este personagem exista de verdade] Ora, quando ele me criou ele já sabia que isso ia acontecer, não? Por que me cercou então, desde pequeno, de indícios que me fizeram acreditar que a estória folclórica dos cristãos é pura e simplesmente uma estória folclórica? Não fui eu que resolvi, do nada, acreditar nisso, foi só nesta conclusão que pude chegar analisando as informações ao meu redor. Por que este deus (ou outro deus) não colocou uma, só uma, provinha de que a Bíblia (ou o Corão, ou o Torá, ou o Rig-Veda, ou o Mahabahata, ou o Zend Avesta, ou o Guru Granth Sahib, ou os Livros de Allan Kardec, ou qualquer dos muitos dos livros sagrados da humanidade é diferente dos demais e que ele, e não os outros, contam a verdade?

Me culpar de não crer na bíblia (ou em qualquer destes livros), sem indícios, sem nada, é a mesma coisa que me culpar por não ter acertado na loteria.

Acho que as últimas palavras de um homem, não são mais importantes do que a palavra de Deus.

De novo este personagem.

As últimas palavras de um homem não são nada importantes em si, mas o fato de que há meia-dúzia de versões diferentes sobre que palavras são estas provam uma coisa: por serem diferentes as versões, logicamente, não podem estar todas certas ao mesmo tempo. Se não podem estar todas certas ao mesmo tempo, logicamente, inferimos que pelo menos parte delas não são verdadeiras. Isso, em si, serve para derrubar a tese de que um “deus que não erra escreveu o livro” (que já é uma tese absurda por si só, dada a alternativa natural: homens escreveram o livro).

Se cremos na Biblia, aceitamo-la então, como é.

É um direito seu acreditar sem provas. É um direito meu combater este hábito irresponsável. Imaginem se todos escolherem uma história por aí e começarem a acreditar nele sem provas?

Não creio q as palavras desse livro são ridículas e cheio de erros.

Eu também não creio que são ridículas, mas SEI que são cheias de erros, pela simples demonstração que duas versões conflitantes não podem, ao mesmo tempo, estarem corretas.

Se esse LIVRO estiver cheio de erros como vc já mencionou algum, que diremos da nossa vida?

Também está cheia de erros, o que não muda o fato de que o livro está (NOTA: Esta é uma invalidade argumentativa conhecida como TU QUOQUE).

Pergunte a Jesus e ELE te responderá

Clinicamente falando, isto se chama esquizofrenia. Saiba mais sobre ouvir vozes.

Digamos que quatro diferentes jornalistas irão fazer uma matéria sobre um homicídio, cada um para o seu respectivo jornal. Será que essas materias seriam identicas umas as outras? é claro que não (e olhe que estamos falando de profissionais…). Em uma das matérias o jornalista poderia dizer que a vítima chegou do trabalho, entrou em uma padaria e ao sair foi baleado. A outra matéria iria dizer que a vítima chegou do trabalho, foi a uma padaria, ao sair encontrou um conhecido com quem converssava no momento em que foi baleado. Na outra poderia dizer que a vítima, ao chegar do trabalho, comprou um cigarro em um boteco, foi a padaria e depois foi morto. Qual dos jornalistas contou a versão correta? Talvez todos… As matérias não se contradizem, na verdade se completam, se você juntar as quatro matérias e criar uma só que contenha todos os acontecimentos descritos, você provavelmente encontrará a história que mais se aproxima da realidade, pois, cada um dos jornalistas descreveu os fatos que achou mais importante ou que mais lhe chamou atenção. Da mesma forma os evangelhos podem ser analisados, só que as “contradições” contidas entre eles, na maioria das vezes, não são decorrentes de visões diferentes entre os escritores, más, é decorrente da diferença entre as inúmeras traduções existentes. Más, o tema central dos evangelhos, ou seja, a base da pregação de JESUS permanece intacta em meio a essas “diferenças”: Arrependimento dos pecados e salvação mediante a fé exclusiva em Jesus Cristo. No mais são só detalhes…

Que Deus abençoe a todos.
Fábio

Considero verdadeiro um aspecto de um fato, quando diferentes perspectivas explicitam o mesmo aspecto. Um método bom, concorda?

No caso dos evangelhos, há mais pontos de convergência ou divergência? O que há mais, aspectos coincidentes ou diferentes?

Até a próxima.