Ah, a Bolívia…

Finalmente, aconteceu. A Bolívia passou a mão, de forma descarada, na Petrobrás.
Isso tudo me incomoda um pouco, por três razões. A primeira, e mais egoísta, é que sou acionista da Petrobras. Aliás, meus caros leitores, caso vocês não saibam, eu já aviso: vocês também são. O estado brasileiro é portador da maior parte das ações da empresa, e eu sou dono legítimo de aproximadamente 1/170.000.000 dele. Fico irritado com o fato do MEU patrimônio ser atacado por ladrões e que meus procuradores não façam nada para evitar a situação ou punir os responsáveis.
Em segundo lugar, desde o Império Romano, a humanidade vêm tentando construir um mundo mais civilizado com uma coisa chamada “Direito”, aparentemente desconhecida lá na Bolívia. Em especial, com o conceito de contrato: um acerto, com força de lei, que duas pessoas podem constituir entre si, o que garante que os dois se obrigarão a prestar mútuas obrigações, de acordo com os termos ajustados. Isso impede que alguém seja prejudicado com mudanças nas regras depois do jogo ter começado. O mundo seria um caos sem isso, cheio de abusos, arbitrariedades e enganações.
Por fim, há o aspecto ideológico. Cada vez que uma besteira desta é feita e o mundo civilizado não revida, os líderezinhos populistas da América Latina (um terreno fértil e adubado para ideologias populistas nacionalistas messiânicas) acham que estão com tudo. O povo delira. Como resultado, as ofensas aos princípios mais básicos da civilização moderna se tornam mais frequentes, mais ousadas, os aventureiros se multiplicam e o povo fica cada vez mais deslumbrado. Quando a paciência chega no limite e o mundo finalmente reage, é de forma abrupta, classificada como “imperialismo”, “abuso de força”, “abuso de poderio econômico” e outras coitadinices.
Isso arrasta o mundo para uma situação cada vez mais caricata, construindo uma balança de poder onde, de um lado, existem os radicais irracionais (com a esquerda latina e as teocracias islâmicas), de outro, muitas vezes perdendo a cabeça, as nações desenvolvidas ocidentais - a principal delas tendo descido também a uma situação de extremismo e irracionalidade, com o fanatismo conservador cristão americano, justamente como reação a este ambiente ridículo.
Por isso, é necessária ação. Há de se cortar a asinha destes papagaios. E, no caso, cumpre a nós este papel, pois é no nosso portão que os bárbaros estão batendo. Se não for demonstrada força, sabe-se lá o que tentarão amanhã?
Mas sem excessos. Evo Morales é um pobre coitado, um populistazinho que floresceu na sombra de Hugo Chavez - este, por sua vez, um populistazinho miserável que floresceu na sombra de Fidel Castro. O povo da Bolívia, pior ainda, já passa todo tipo de necessidade. A Bolívia não merece atrair outro sentimento nosso senão a solidariedade. Mas isso não pode passar, de forma alguma, servir como justificativa para nos transformarmos em um patético saco de pancadas. A Bolívia cometeu um ato de guerra. Evo Morales, ao surrupiar injustamente patrimônio brasileiro legal e legitimamente instalado em seu país, cuspiu na diplomacia. E atos de guerra merecem uma resposta a altura.
Mas já vou adiantando, antes que me acusem de bushismo: sou contra invadir militarmente a Bolívia. Isso não é civilizado, não é elegante e seria uma tremenda covardia. Não que nossa força militar seja alguma coisa: a deles que é irrisória. Mas podemos retaliar de maneira devastadora, sem disparar um único tiro, com efeitos pedagógicos imensos. As possibilidades são muitas:
1 - Fechar as fronteiras por seis meses: isso devastaria o abastecimento boliviano. Se alguém visitar um supermercado boliviano, perceberá que, no mínimo, 80% dos produtos são brasileiros. Morales não aguentaria uma semana sem pedir arrego - ou melhor, a população boliviana não aguentaria uma semana sem rever seus conceitos sobre seu gran capitan.
2 - Parar de comprar o gás Boliviano. Um pequeno inconveniente para o Brasil, um cataclismo para a Bolívia. A Bolívia não tem o que fazer com o gás, e o Brasil é o único mercado. Ela é um país miserável, que precisa muito de qualquer fonte de renda - principalmente de um contrato lucrativo, de pai para filho, como o que, sonhando ingenuamente com uma América Latina fraterna e mutuamente respeitosa, assinamos. Se Evo gosta de rasgar contratos e mandar a segurança jurídica para as cucuias, deveríamos educá-lo fazendo o mesmo. Que vá procurar a Câmara Mundial do Comércio para reclamar.
3 - Entregar as refinarias… desmontadas. Nenhuma lei, aqui ou em qualquer lugar do mundo, impede que um indivíduo ou empresa desmonte ou destrua seus próprios bens, quando os mesmos estão na iminência de ser tomados injustamente. Seguindo o exemplo histórico de Saladino, czar Alexandre e vários outros, vamos entregar destruído o que perderíamos de qualquer forma. As refinarias da Petrobrás são responsáveis “apenas” por TODA a gasolina consumida na Bolívia. Dá para imaginar o que é um país sem gasolina? Evo congelou a medida até novembro, mas já avisou que não voltará atrás. Então, temos dois meses para fazer as malas e desmontar aquela parafernália toda.
O que me alegra é que, mesmo que não façamos nada - e tenho a suspeita que nosso servil apedeuta não fará, com medo do que Chavez possa pensar - Morales pode ter dado um tiro no coração desta mentalidade esquerdista radical. A Bolívia sofrerá com a miséria nos próximos anos, sem atrair investimento nenhum - nenhum investidor que se preze aposta seu dinheiro em um país sem segurança jurídica. O único perigo é o povo boliviano não perceber de quem é a responsabilidade, colocando a culpa da fuga do capital estrangeiro em uma “conspiração imperialista, que pretende prejudicar o Verdadeiro Representante do Povo”.



Minha solução é mais simples. Depois de nos lirvarmos do presidentezinho inácinho, vamos torcer para que os aliados do chaves ganhem na américa latina toda.
Ele já dá um dinheirão pra Cuba, pra Bolívia e anda gastando muito na própria venezuela. Vamos ver quanto tempo eles conseguem sustentar essas contas.