Universos Paralelos, I
Os físicos, na busca de uma teoria que integrasse satisfatoriamente a física quântica e a relatividade geral (e na busca de modelos que pudessem descrever o estado das coisas antes do Big Bang), chegaram a inúmeras conclusões fascinantes. Uma delas é a de que, de acordo com as teorias de supergravidade, nosso universo não possui apenas três dimensões espaciais e uma temporal, como nos diz o senso comum, mas sim onze dimensões.
Uma consequência disso é que podem existir, como bolhas, vários universos dispersos em um multiverso, e o nosso seria apenas mais um. Alguns destes universos poderiam ser completamente diferentes, com leis físicas estranhas; outros, poderiam ser réplicas quase exatas do nosso, com diferenças mínimas. Por exemplo, poderia existir um universo onde Hitler ganhou a Segunda Guerra, onde o Brasil ganhou o Hexa, e qualquer outra combinação de eventos possíveis em um conjunto infinitos de possibilidades.
Isso, até pouco tempo, era apenas elocubração teórica. Era. Eu tenho a prova de que existem universos paralelos, pois, bem pertinho da minha casa, é entregue o jornal de um destes universos. É bastante parecido com o nosso, mas evidentemente a conjuntura política lá é outra:

Não dá para saber muita coisa a respeito desta realidade alternativa, nem como diabos este jornal chega até o nosso universo, se é por um buraco-de-verme, pela FedEx ou por outro meio. No entanto, dá para saber que, ao contrário de nosso universo, por lá FHC não só é uma figura política ativa, como o PT é um partido ético.
Este jornal me chamou a atenção há uns dois meses, com a manchete “TUCANODUTO DE FHC E MARCOS VALÉRIO ABASTECIA CAIXA 2 DO PSDB”. Manchetes elogiosas narravam os esforços de Lula, Dirceu, Genuíno e outros petistas, que tal como Elliot Ness e seus Intocáveis, desbaratavam os esquemas corruptos dos tucanos que se apoderaram do poder público. “Uau”, eu pensei, “é agora que eu ganho meu Nobel da Física!”.
Sempre que passava na frente da banca, o jornal me saltava aos olhos. Todas as manchetes dos outros jornais eram repetidas por este (o que me faz concluir que a cronologia dos acontecimentos é bem parecida com a do nosso universo), mas os partidos políticos eram exatamente os outros. FHC comandava o mensalão, Serra era o principal beneficiado por Marcos Valério, e muito mais.
De tempos em tempos, publicarei aqui as manchetes do que acontece nesta Terra alternativa, reveladas a mim pelo misterioso jornal transdimensional da banquinha amarela.



O nome é ótimo, tipo “Rosicleide”. Quer dizer, parece que misturaram “Meia Hora” com “O Povo”.